quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A arte de fazer rir


Agora eu entendi o querem dizer os dramaturgos, diretores teatrais e outros quando afirmam que só grandes atores e atrizes são capazes de fazer rir. Ao assistir a A Idéia, peça teatral com Fernanda Young (texto dela e de Alexandre Machado), que estreou no Teatro Tim, em Campinas, nessa quarta-feira, percebi nitidamente a dificuldade de se ter uma interpretação genuinamente cômica. A atriz não convence. Não faz teatro. Parece ser sempre ela mesma. E, provavelmente, não é ela mesma que está ali. Mas parece ser. Fica sempre a meio do caminho entre o real e o imaginário, entre as ações reles do cotidiano e o espetáculo.
A direção de Alexandre Reinecke é impecável. Aliás, o moço faz verdadeiros malabarismos para espantar o tédio que a todo momento ameaça invadir o público. Só me espanta que diretor tão talentoso tenha apostado na inexperiência (e na falta de talento) de Fernanda Young.
O texto é bom, engraçado, interessante. Tornaria-se hilário se interpretado por uma boa atriz. Durante o espetáculo, eu ficava imaginando, a todo momento, as caras e bocas de Fernanda Torres, a risada escrachada de Regina Casé, a soberba decadente tão bem encarnada por Marisa Orth ou a ingenuidade atrapalhada de Denise Fraga. Seria delirantemente engraçado vê-las atuando em A Idéia.
O público ri de Fernanda, é verdade. Mas, em geral, é o riso provocado pelo palavrão (existe isso, ainda?) e frases picantes sobre sexo. Muito sexo! Quando o pique de comédia ameaça descambar de vez, a atriz tira da manga uma pitada erótica e, pronto, lá está o público às gargalhadas. O público ri, também, porque quer se divertir. Afinal, foi lá pra isso e faz valer a pena os seus R$ 30,00 gastos no ingresso.
A peça tem futuro, mas nas mãos de uma boa atriz! Fernanda Young continua merecendo meu respeito e admiração como autora. É inteligente e mordaz. Mas como atriz, pelo menos cômica, é um desastre!
Descrição da foto: Fernanda Young em uma das cenas da peça A Idéia, segura algo na mão parecido com uma bola de cristal ou uma lâmpada e está com expressão séria e compenetrada (Em tempo: esta cena não existe na versão da peça que vi).

2 comentários:

Anônimo disse...

Katinha....meu primeiro comentário e já é uma crítica!!!!
Em descrição da foto...expressão com "x"!!!!
Um beijão Abel

Katia - eu mesma disse...

Já tá corrigido, Abel. Obrigadíssima e sorry...