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sábado, 23 de maio de 2009

Gosto de infância


Eu me lembro, eu me lembro, era pequena...

Ontem eu acordei com gosto de infância na boca. Lembrei-me de várias coisas e de quanto eu era feliz. Imediatamente, veio à minha mente uma poesia que eu recitava – ensinada por meu pai (um poeta nato) – e que fazia o maior sucesso, em todos os lugares (festas da escola, aniversários da família ou um simples chá da tarde de senhoras).

Então, para resgatar esse momento fugidio, de saudades da infância, reproduzo abaixo a poesia responsável por alguns momentos de glória nessa minha jornada pela Terra.


Eu me lembro! Eu me lembro! Era pequeno

E brincava na praia; o mar bramia

E, erguendo o dorso altivo, sacudia,

A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento

“Que dura orquestra! Que furor insano!

Que pode haver de maior do que o oceano

Ou que seja mais forte do que o vento?”

Minha mãe a sorrir, olhou pros céus

E respondeu: - Um ser que nós não vemos,

É maior do que o mar que nós tememos,

Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.

(Casimiro de Abreu)

sábado, 11 de abril de 2009

Uma surpresa portuguesa

Tem horas que penso em desistir de manter esse blog... Afinal, são tantas as demandas. Às vezes, como no atual momento, não consigo nem mesmo dar conta das minhas obrigações e fico cansada só de pensar em tudo o que tenho pra fazer (e cada vez arranjo mais coisas...).

No entanto, algo sempre acontece para me mostrar que esses espaço aqui é muito importante, é como uma porta aberta pro mundo... E sabem quem acabou entrando? Uma jovem portuguesa, a Verônica, de 17 anos, que me trouxe palavras de incentivo e de muito carinho.

Tal qual na época das navegações portuguesas, atravessei os mares e fui parar numa pequena aldeia para encontrar com a Verônica. Ela é linda e quero apresentá-la aqui no meu blog, para repartir com todos essa simpática portuguesinha.

Com a autorização dela, reproduzo o e-mail que ela me mandou, assim como sua foto. Reparem na linda poesia que ela compôs pra mim...


A senhora gostava de saber como é que eu econtrei o seu blog, pois eu digo-lhe que tive muita sorte; Eu estava a procura de informações sobre nanismo, para ver se era isso que uma vizinha minha tinha, fui pesquisando e aprofundando a pesquisa, até que por uma questão de muita sorte como já referi anteriormente, encontrei o seu blog, por curiosidade li e gostei bastante, daí, decidi procurar mais coisas acerca do blog e da autora , porque,... não sei bem explicar, mas havia ali, naquele seu blog palavras e frases que mexeram com o meu interior, e posso lhe dizer que delícia é saber que existe alguém no planeta tão querida, com palavras tão quentes como a senhora.

Este poema que aqui vem, é o "significado" do que me levou a ler o seu blog:

"A voz do silêncio chamou-me,

E sem eu perguntar o que queria,

Ele respondeu-me:

- Atira-te ao mar,

Vai salvar o que sentes ,

Vai desabafar o que te agoneia,

E se o teu amor são as pessoas,

Principalmente aquelas que sem saberes porquê bateram na moradia do teu sentir,

Abre-lhes a porta, Deixa-as entrar,

Para AMIZADE poderem juntas pactuar.

E eu comentei:

-Tens razão,

Sabes, eu não vivo só para mim, mas principalmente para os outros,

Eu não vivo no conhecimento, mas para conhecer,

Eu não vivo só para ter a opinião, mas também para a partilhar,

Eu não escrevo isto para que me agradeça, mas para dizer
Muito Obigada por a ter conhecido, mesmo que não seja pessoalmente."


A senhora gostava que eu lhe falasse um pouco de mim, posso lhe dizer que nasci no dia 22 de Março de 1992, moro numa aldeia, que pertence a uma pequena cidade chamada Vale de Cambra, estudo na escola secundária de Vale de Cambra, estou a tirar o curso científico - humanistico de Artes Visuais ( este ano lectivo é o 1º ano em que a escola adere ao curso). Ainda não sei o que quero ser no futuro, mas tenho a certeza que quer o que seja tem que ter haver com a área que estudo, já que a minha segunda paixão é desenhar, pintar..., digo segunda paixão porque a primeira são as pessoas, mas também gosto de ouvir música, ver TV, escrever e ler (o meu livro preferido até agora foi " O amor nos tempos de cólera" de Gabriel García Márquez). Um enorme beijo e espero que nós continuaremos a partilhar assuntos.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A magia do sono



















A pessoa que dorme está inteiramente só. Quando o homem dorme, o seu rosto se desarma de todas as tramas, de todos os desgostos. E ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele vinha lhe dizendo ou dando a entender. Quando a gente se parece menos com os mortos é quando está dormindo. Quanto mais pobre, mais comovente o ser humano quando dorme. No sono, as pessoas boas e confiantes ficam desarrumadas. A mais leve carícia de sua mão sobre o corpo da amada que dorme poderá quebrar a solidão do sono e a tranqüilidade da carne já não seria completa. Contente-se em enternecer-se sem tocá-la. Mas, se for preciso despertá-la, que seja com ruídos aparentemente casuais.
Ah, que intenso ciúmes do passado e do futuro sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu e só você a verá assim tão bela!

(Texto de Antonio Maria, in Brasileiro, Profissão Esperança. Imagem: Moça Dormindo, pintura digital de João Werner (in www.joaowerner.com.br/.../ nus/moca_dormindo.htm))