segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Provocações... é sexta-feira!


Antonio Abujamra – Alguma vez, diante do espelho, você perguntou: “Por que eu?”.

Veja minha resposta a essa e outras provocações do Abujamra no programa que vai ao ar nessa sexta-feira, dia 31/10, pela TV Cultura de São Paulo, às 22h10.
O programa será reprisado no dia 7/11, às 2h30 da madruga.
Também já está no ar a chamada do programa. Dê uma olhada em www.tvcultura.com.br/provocacoes/


Descrição da foto: eu e o ator Antonio Abujamra estamos sentados um em frente ao outro. Entre nós, uma mesa de vidro. Ele, um senhor grandalhão, calvo na parte superior da cabeça e com o cabelo amarrado num rabo-de-cavalo atrás; está com um casaco cor de vinho e um longo cachecol azul. Eu, uma jovem senhora, cabelos bem curtos. Ambos usamos óculos e estamos sorrindo.




quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Lautrec petit-à-petit (3)


Só tiveram direito à minha intimidade os que souberam ultrapassar o primeiro momento de rejeição ou os que puderam apreciar o meu humor. Se eu não fosse tão espirituoso, seria o último dos idiotas. Há quatro séculos que em minha família ninguém fazia nada! Máscaras, barbas postiças, chapéus, boás... brinco continuamente com tudo isso. Adoro máscaras do rosto e também do corpo.
Vamos, vamos, experimentem ser outra pessoa! Tirem suas máscaras! Sejam vocês mesmos com outra cara.
Magnifique!
As pessoas são horrorosas, mas a vida nos oferece possibilidades maravilhosas!


(Trecho da peça Lautrec, texto e atuação de Katia Fonseca)

Descrição da foto: Katia Fonseca interpreta o pintor francês Toulouse-Lautrec. Está com um chapéu-coco, colete prateado por cima de um macacão preto. Segura uma bengala e está faladno com a platéia.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Pelo que vivo

Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas.
Darcy Ribeiro (1922 - 1997)


Descrição da foto: imigrantes, homens e mulheres, magros e maltrapilhos, descansam, exaustos, numa praia das Ilhas Canárias, na Espanha. São imigrantes vindos de várias partes.
Crédito: Agência France Press

terça-feira, 14 de outubro de 2008

As provocações de Abujamra


De repente, eu estava lá, sentada diante de um dos maiores ícones do teatro brasileiro: Antonio Abujamra. A entrevista estava prestes a começar, sem ensaio, sem nenhum preparativo. Apenas uma rápida maquiagem, um cafezinho, copo d´água (a boca estava seca...), a entrada apressada para dentro do estúdio e eis que ouço a voz retumbante me chamando: “Katia Fonseca!”.
Fui chegando devagar, em minha cadeira de rodas, e senti o olhar daquele homenzarrão a me espiar de soslaio, por cima dos velhos óculos de sábio. Sim, acho-o com cara de sábio. Daqueles que se disfarçam em comentários banais para proferir grandes verdades.
Convenceram-me a sentar na poltrona reservada aos entrevistados, o que fiz de bom grado, com a ajuda dos contra-regras. “Tragam umas almofadas”, pediu Antonio, O Grande! Ajeita daqui, ajeita dali, pronto, eu estava pronta, sob os olhares cuidadosos e protetores daquele que, dali a alguns instantes, seria o meu algoz.
Pronta? Quem disse que eu estava pronta? Eu achava que estava? Tinha uma segurança que se revelou tão firme quanto uma gelatina.
Já na primeira pergunta, respondi depressa, mas titubeei por dentro: “Acho que estou muito pedante”, pensei. A seguir, aquele gigante à minha frente ia despejando suas provocações como uma enxurrada, com ironia fina e olhos de lince. Um olhar sarcástico, mas resplandecente em generosidade. Unida à sua altivez de mestre das artes (sobretudo a declamatória), uma profunda ternura.
Fiquei, muitas vezes, sem fala. Catatônica, perplexa. Com medo de dizer besteira, não dizia nada. Babei! Literalmente, babei!! Eu tinha me preparado para o final, aquela hora em que ele manda olhar pra câmera e dizer o se que quer. Ensaiei por dias. Mas, de resto, negligenciei o poder de absorção do meu entrevistador e acreditava que seria fácil ter uma boa performance diante dele. Afinal, estou habituada aos palcos e a falar diante do público... Antonio Abujamra, o deus-palavra, é muito mais impactante do que qualquer platéia. E eu fiquei ali, estatelada, sem palavras diante daquele mágico dos sons falados.
Quanto tempo passei ali? Quinze ou vinte minutos, no máximo. Ao me despedir, beijei sua mão, certa de que aquela experiência tinha sido do mesmo tamanho de uma vida inteira de aprendiz da arte maior da humanidade: o teatro.
Estava ali, diante de mim, um dos mais puros espíritos dionisíacos dessa arte, que torce e retorce os nós dos seres humanos, no que temos de mais profano e mais sagrado, revelando, desnudando nossa essência.
E, de novo, encontrei-me diante de mim mesma, diante daquilo a que vim a ser com minha existência: cantar uma epopéia canalha, mostrando cruamente suas úlceras.
Termino com o texto de Lautrec, peça teatral que nasceu das minhas entranhas, momento tão intenso e genuíno quanto esse encontro instantâneo com Antonio Abujamra, ou, simplesmente, Abu: “Mas eu estava em busca da verdade! Nunca a pobre libertinagem, a estupidez passiva e a inconsciência animal tinham sido mostradas com tanta clareza, com uma tranqüilidade tão rude. Mas o que importa a eternidade da danação a quem encontrou, num segundo, a infinitude do gozo?!”

ET - A entrevista vai ao ar no dia 31/10. Mas pode deixar que, antes disso, vou fazer muito barulho!

Descrição da foto: O rosto de Antonio Abujamra em close. Um senhor calvo, óculos na ponta do nariz, olhar sarcástico e um meio-sorriso desdenhoso.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Lautrec petit-à-petit (2)

Nasci disputando com a morte meu lugar no mundo. Meu pai, o conde Alphonse de Toulouse-Lautrec Monfa, foi avisado sobre meu nascimento em meio a uma de suas caçadas. Veio rapidamente me ver e voltou correndo à caça, a fim de não perder o halali, o momento final, quando o animal, cansado de fugir, é acuado e está prestes a morrer. O último suspiro! Ah, meu pai não perdia isso por nada... nem pelo nascimento de seu primogênito.
Aos 14 anos, fraturei as duas pernas. Foi o início de uma fatalidade que iria mudar, definitivamente, o destino da linhagem nobre dos Toulouse-Lautrec. Meu corpo começou a se deformar e, para meu pai, um mundo começou a desabar.
(Trecho do espetáculo Lautrec; texto e atuação de Katia Fonseca)

Descrição da foto: Toulouse-Latrec, pintor francês do século XIX, um jovem de uns 18 anos, está sentado no chão ao lado de dois homens que são, provavelmente de sua família (primos ou tio) e uma mulher (provavelmente sua mãe) vestida de negro está atrás, em plano um pouco mais alto, sentada em uma cadeira. Lautrec tem as pernas mais curtas que o normal para um jovem de sua idade. Imagem soturna, todos estão vestidos de preto, menos Lautrec, que está com um traje claro. Todos portam chapéu escuro.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Um ano a mais

Dia 2 de outubro é meu aniversário (amanhã). Queria escrever algo legal, pra cima, up, up. Mas não pintou inspiração (pelo menos até agora, hora em que estou tomando um drink à base de vodka, esperando meia-noite chegar pra poder brindar mais – ou seria menos? – um ano de vida).

Adoro o poema de Fernando Pessoa sobre aniversário. É down, é pra baixo, mas é de uma profunda humanidade (como tudo – ou quase tudo – do Pessoa). O poema, na verdade, não reflete meu estado de espírito. Mas é lindo! E eu não poderia privar vocês (e a mim mesma) desta obra de arte!

Acho que o Pessoa cala fundo na gente porque algum dia seremos aquilo a que fomos destinado a ser: humanos e finitos. E a proximidade da morte é inexorável.

A questão é: pensemos nisso agora ou daqui a pouco?

Com vocês (e comigo), Fernando Pessoa!







No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.



Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!



O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!



Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...



Pára, meu coração!

Não penses!

Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

(Fernando Pessoa, Aniversário)

Descrição da foto: Fernando Pessoa em close - Foto em preto e branco de um jovem-senhor, de chapéu, cabisbaixo, óculos e bigode; ar circunspecto.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Uma mensagem de Helen Keller




TRÊS DIAS PARA VER


Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som. De vez em quando, testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi a resposta. Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tato encontro centenas de objetos que me interessam. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos, por apenas três dias.
No primeiro dia, gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães. À tarde, daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte, eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrada o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo.
Na manhã seguinte, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino. Acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim.
Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual. Então, finalmente, você veria de verdade e um novo mundo de beleza se abriria para você.


(Trechos retirados do site www.cerebromente.org.br/n16/curiosidades/helen.htm. O texto foi publicado na íntegra do Reader’s Digest – Seleções há 70 anos e também está no site)

* De nacionalidade norte-americana, Helen ficou cega e surda quando criança. Tornou-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século: célebre escritora, filósofa e conferencista, desenvolvendo extenso trabalho em favor das pessoas com deficiência. Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora.

Descrição das fotos:
1- Helen Keller, de meia idade (entre 40 e 50 nos), uma distinta senhora, de chapéu, passa a mão no rosto de uma outra jovem senhora para poder enxergá-la.
2- Um retrato de Helen Keller, ainda jovem, de perfil.











sábado, 20 de setembro de 2008

Convite

Caríssimos

Tenho um grande orgulho de convidá-los para assistir à entrega do prêmio Helen Keller à minha pessoa, dia 23/9 (terça-feira), às 20h, na Câmara Municipal de Campinas (Av. Engenheiro Roberto Mange, 66 - Ponte Preta).
O prêmio é um projeto de lei instituído pelo vereador Zé Cunhado (PDT) e destina-se a valorizar a pessoa com deficiência que tenha destaque na cidade Campinas. A data de premiação é em referência ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que se comemora todo 21 de setembro.
Getilmente oferecido por uma empresa parceira, haverá um coquetel após a cerimônia de premiação, no mesmo local, e eu ficaria muito feliz em poder brindar com vocês mais essa conquista, mais um reconhecimento da luta que venho travando, como membro do Centro de Vida Independente de Campinas (CVI-Campinas), pela quebra de preconceitos e mudança de paradigmas frente às questões que envolvem as pessoas com deficiência.
Aguardo vocês!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A arte de fazer rir


Agora eu entendi o querem dizer os dramaturgos, diretores teatrais e outros quando afirmam que só grandes atores e atrizes são capazes de fazer rir. Ao assistir a A Idéia, peça teatral com Fernanda Young (texto dela e de Alexandre Machado), que estreou no Teatro Tim, em Campinas, nessa quarta-feira, percebi nitidamente a dificuldade de se ter uma interpretação genuinamente cômica. A atriz não convence. Não faz teatro. Parece ser sempre ela mesma. E, provavelmente, não é ela mesma que está ali. Mas parece ser. Fica sempre a meio do caminho entre o real e o imaginário, entre as ações reles do cotidiano e o espetáculo.
A direção de Alexandre Reinecke é impecável. Aliás, o moço faz verdadeiros malabarismos para espantar o tédio que a todo momento ameaça invadir o público. Só me espanta que diretor tão talentoso tenha apostado na inexperiência (e na falta de talento) de Fernanda Young.
O texto é bom, engraçado, interessante. Tornaria-se hilário se interpretado por uma boa atriz. Durante o espetáculo, eu ficava imaginando, a todo momento, as caras e bocas de Fernanda Torres, a risada escrachada de Regina Casé, a soberba decadente tão bem encarnada por Marisa Orth ou a ingenuidade atrapalhada de Denise Fraga. Seria delirantemente engraçado vê-las atuando em A Idéia.
O público ri de Fernanda, é verdade. Mas, em geral, é o riso provocado pelo palavrão (existe isso, ainda?) e frases picantes sobre sexo. Muito sexo! Quando o pique de comédia ameaça descambar de vez, a atriz tira da manga uma pitada erótica e, pronto, lá está o público às gargalhadas. O público ri, também, porque quer se divertir. Afinal, foi lá pra isso e faz valer a pena os seus R$ 30,00 gastos no ingresso.
A peça tem futuro, mas nas mãos de uma boa atriz! Fernanda Young continua merecendo meu respeito e admiração como autora. É inteligente e mordaz. Mas como atriz, pelo menos cômica, é um desastre!
Descrição da foto: Fernanda Young em uma das cenas da peça A Idéia, segura algo na mão parecido com uma bola de cristal ou uma lâmpada e está com expressão séria e compenetrada (Em tempo: esta cena não existe na versão da peça que vi).

Luta? Que luta?

Neste momento em que se inaugura uma rampa para o acesso de pessoas com deficiência física na Prefeitura de Campinas (com bastante atraso, diga-se de passagem), eu não podia deixar passar a oportunidade para externar meu descontentamento com as ações oficiais em prol das pessoas com deficiência na cidade. Por oficial, estou denominando aquelas ações de iniciativa da Administração municipal, por meio de suas diversas secretarias, e as desenvolvidas pelo Conselho Municipal de Atenção à Pessoa com Deficiência. Ações apagadas, sem viço, sem garra e à moda da abertura política brasileira: “lenta e gradual”. Neste momento, também está acontecendo a Semana de Luta da Pessoa com Deficiência, em Campinas, que culminará com a celebração do Dia Nacional de Luta, comemorado em 21 de setembro. Quantos, em nossa cidade, sabiam disso? Vamos ver o “córum” que atingirão os eventos dessa semana e da manifestação que acontecerá na Lagoa do Taquaral, no dia 21, pela manhã. Estou torcendo para que tenham um público recorde e eu morda a minha língua.
São ações que não conseguem nem mesmo mobilizar o próprio segmento das pessoas com deficiência, o que dirá a população em geral, que continua a lidar com suas preocupações rotineiras sem serem sensibilizadas para a problemática das pessoas que vivem em situação de desvantagem quanto suas capacidades físicas, motoras, sensoriais ou intelectuais.
Querem mais um exemplo? Depois de anos de reivindicação, o movimento organizado das pessoas com deficiência em Campinas conseguiu que a Prefeitura criasse a Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), cujo principal objetivo seria a fiscalização da acessibilidade nos edifícios públicos e privados (além de muitas outras funções). Está funcionando? Não! E quando a tal comissão é cobrada, a justificativa recai sempre nos trâmites burocráticos e legais que se resumem na tão conhecida frase típica do funcionalismo público: “Ah, isso não é com a gente!”.
Outro exemplo é a atuação pífia do conselho supracitado, resumindo-se a intermináveis reuniões e pouquíssima ação. Nem eu, pessoa com deficiência física e atuante em movimentos organizados para a defesa de nossos direitos, fico sabendo o que esse conselho vem fazendo.